China obtém excedente comercial histórico apesar das tarifas de Trump

A China atingiu um excedente comercial recorde de 8,5 biliões de yuans (um bilião de euros) em 2025, apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

RTP /
Jason Lee - Reuters

Os dados foram divulgados esta quarta-feira pela Administração Geral das Alfândegas da China e retratam o maior excedente comercial registado pelo colosso asiático. As exportações cresceram 6,1 por cento para 26,99 biliões de yuans (3,3 biliões de euros).

A diversificação do mercado para a América Latina, sudeste asiático e África contrapôs-se à diminuição das exportações para os Estados Unidos, fortemente afetadas pela guerra comercial entre os dois países. O comércio entre os dois países caiu 16,9 por cento entre janeiro e novembro de 2025.Alguns dos produtos chineses exportados incluem materiais tecnológicos, como chips para computadores, robótica, tecnologia verde e inteligência artificial.

Por outro lado, as importações tiveram um crescimento de apenas 0,5 por cento, mas atingindo um recorde de 18,48 biliões de yuans (2,2 biliões de euros).

Em dezembro, as exportações cresceram 6,6 por cento face ao período homólogo de 2024, que excedeu as previsões dos economistas, que esperavam um crescimento de 5,9 por cento. Ainda assim, eram previsões acima dos 1,9 por cento registados em dezembro de 2024.

Em conferência de imprensa, Wang Jun, vice-presidente da Administração Geral das Alfândegas da China, apelidou de “verdadeiramente notável” o comportamento do país em matéria comercial.

O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, prevê um crescimento de cerca de três por cento nas exportações chineses em 2026, abaixo dos 5 por cento registados em 2025, apesar das tensões geopolíticas.

A guerra comercial entre os dois países não é recente, mas atingiu um ápice durante o ano de 2025. Em abril, os Estados Unidos impuseram tarifas de 145 por cento sobre os produtos chineses, com Pequim a retaliar com tarifas de 125 por cento sobre os produtos norte-americanos.

Acabaram por baixar para 47 por cento, com a trégua assinada em outubro de 2025, mas a ameaça de sanções de 25 por cento aos países que fazem comércio com o Irão – como é o caso da China, o principal comprador de petróleo iraniano – tem provocado especulações sobre o impacto no comércio externo chinês.

Apesar dos valores recorde no comércio externo, a procura interna tem sido afetada pela crise prolongada no setor imobiliário. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou recentemente a Pequim para que corrija desequilíbrios estruturais da sua economia.
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